A MÁQUINA QUE SONHA COLORIDO.
Vou experimentar, aceitar meu limite e o quanto posso suportar.
Cara, o SK foi uma das bandas mais emblemáticas que pude ouvir nesses meus 28 anos de vida. E assim, como a grande maioria das outras bandas, comecei a ouvir bem mais mulequinho, quase que na mesma época que CPM22.
Um dos momentos mais legais da minha relação com a banda, sem dúvidas foi a turnê de retorno e consequentemente de 20 anos e mais uma vez o Mario do Asteroid salvou esse rolê para a galera do interior.
Mais uma vez, sai eu e a Bia na loucura e vamos para o show. Que saudade da minha companheira de show, que inclusive seguirá honrando nossas raízes vendo o Dead Fish em Amsterdam.
Naquela ocasião acabei vendo com a formação Capileh, Moderno, Pindé e Ric, sendo que naquela turnê teve diversos momentos com formações diferentes.
Cara esse show me arrancou diversos sorrisos, pois que energia foda que essa banda passa para o público, lembro que eu tava num cantinho espremido.
Se me lembro até, eles abriram com Todos Nós Vamos Morrer, a partir daquele momento até o fim, o show foi de 0 a 100 muito rápido. E em pouco tempo eu já estava sem voz (Não fumem, beba água e coma alguma fruta antes de shows).
Eu sempre penso que nesse show eu tive ainda a sorte de pegar um Setlist praticamente com as minhas músicas favoritas, só não teve Rockstar no caso. Mas de resto, foi extremamente simbólico pois parecia que tinham tirado até da minha playlist do Spotify.
A entrada de “Rock Falido” (Os Pedrero) e a transição para “Divinorum + Será Viver” foi incrível, pois ele acabou seguindo a mesma introdução que tem no DVD de 15 anos em Fortaleza.
“Amanhã dependerá de nossos pés
Que podem tropeçar
E te fazem cair”
Quando começaram a tocar Janeiro, foi mais emblemático ainda, pois é o mesmo do meu nascimento, mas ao mesmo tempo é um mês que é extremamente pesado para mim. Ouvir ela no final de todo mês de janeiro é quase que um mantra.
“Fecho os olhos pra me levantar
e esquecer o que passou”
Fora esse show, um outro que tive a oportunidade de ir em São Paulo que eles tocaram “Um Pouco de Tudo”, foi um momento mais intimista com um silêncio, mas aquele silêncio de apreciação da letra e melodia da música.
Tendo como back do público, apenas no refrão… Um pouco de tudo aconteceu.
Em 2021 a banda retorna com um álbum cheio, algo que não acontecia desde o Ignorância Pluralística (2014). “A Casa” foi o primeiro single dessa nova fase da banda.
A minha reação ao ouvir ela pela primeira vez, foi muito com um sentimento de nostalgia. Ouvir ela, era quase que automático lembrar dos sábados na casa dos meus avós e também da partida de ambos.
Esse trecho era extremamente marcante, pois me remetia muito o estar descendo do ônibus do outro lado de uma cidade do interior e tudo era bonito, aquelas ruas de paralelepípedo
“Esse lugar só lembra o quanto o tempo passou
Quando meu olhar ainda era novidade”
E ao mesmo tempo, ela me trazia a lembrança da partida deles nesse trecho e meio que ensinando que mesmo após a despedida, a gente não tá sozinho nesse mundo.
“Não consigo ver o mundo com a mesma luz
Somos retratos de um momento
Continuamos nos batendo
Neste inferno que nos vendem como céu
A certeza é a medida do que sinto
Perdemos muito pelo caminho
Mas não estamos sozinhos”
Como despedida desse texto, vale lembrar da música que carrega esse título.
A única coisa que quero que lembre
É que nunca vou me arrepender
daquilo que fomos
dos dias dos sonhos de sermos pra sempre ligados
.