Em algum momento oportuno da vida, você provavelmente ouviu M83 — o grupo francês que entregou trilhas sonoras incríveis no decorrer da carreira. Músicas como “Intro”, “Midnight City”, “Wait” e “Outro” fizeram parte de um contexto no qual todos estivemos inseridos de alguma forma.
“Midnight City”, por exemplo, trouxe outra ótica ao ato de dirigir em GTA V. Sim, ela foi o tema de um dos jogos mais bem-sucedidos da história. Ouvir esse som enquanto jogava me transmitia uma sensação de liberdade única que somente esse “casamento” poderia proporcionar. Era incrível; me faltam palavras para descrever tal momento. Inclusive, recomendo fortemente que assistam a uma apresentação ao vivo dessa música. M83 está no meu TOP 10 de bandas que eu gostaria de ver; artisticamente, eles são muito fora da curva, principalmente pela execução de tantos instrumentos no palco sem gerar poluição sonora.
Já a música “Outro” é outra (risos) que me fez chorar pra um caralho. Ela se personificou na última temporada e no último episódio de uma das séries que viria a se tornar a minha favorita da vida: Mr. Robot. Sim, a série em que o Elliot interpreta o Rami Malek, hahahaha. É apenas uma brincadeira, ok? Não levem pro coração. Mas aquele final de temporada destroçou minha cabeça em pedacinhos e, ao mesmo tempo, entregou uma das melhores conclusões da história da TV. Está aí uma série que sempre vou recomendar — uma pena não estar em todos os serviços de streaming, mas existem “outros meios”, né? Assistiria novamente sem pensar duas vezes.
Mas voltando ao foco: o ponto aqui não é apenas sobre a música ou a série, mas sobre como esses elementos se fundem para criar memórias afetivas que carregamos no peito. É sobre aquela sensação de “vazio preenchido” que só um sintetizador bem colocado consegue causar.
O M83 tem esse poder quase espiritual de transformar o comum em épico. Quando as camadas de som de Anthony Gonzalez começam a subir, parece que a gravidade deixa de existir por alguns segundos. Não é apenas música eletrônica; é um convite para olhar para o céu e se sentir parte de algo absurdamente maior que nós mesmos.
Engraçado pensar que, enquanto escrevo isso, sinto uma ponta de saudade de épocas que nem fazem tanto tempo assim. Talvez seja esse o grande trunfo do grupo: eles vendem a nostalgia de momentos que estamos vivendo agora. Seja fugindo da polícia em Los Santos ou refletindo sobre a dualidade da mente com o Elliot, a trilha sonora estava lá, validando cada sentimento.
No fim das contas, a arte serve para isso. Para nos tirar do automático, para nos fazer chorar com um “Outro” que parece o fim do mundo e, logo em seguida, nos devolver a esperança de um novo amanhecer com um acorde de sintetizador. M83 não é apenas uma banda na minha playlist; é o registro sonoro de que, apesar de todo o caos, ainda existem momentos de pura beleza que fazem tudo valer a pena.
E você? Qual foi a última vez que uma música te transportou para um lugar onde o tempo simplesmente parou?