CÉU E INFERNO.
Essas palavras são meu coração e alma
Lá em 2005, quando o Guitar Hero 1 foi lançado eu acabei conhecendo a banda canadense SUM 41.
A primeira música que ouvi foi logo de cara Fat Lip (All Killer, no Filler — 2001). Aquela intro da guitarra era um negócio marcante demais para a época juntamente do seu clipe extremamente enérgico. Que trazia muito da temática do adolescente poder ser o que ele quiser e não um padrão imposto da sociedade.
“I don’t wanna waste my time
Become another casualty of society
I’ll never fall in line
Become another victim of your conformity and back down”
Fora isso, nos anos que ouvi a banda ela sempre tratou temas que eram bem próximos da realidade de muitos jovens daquele período, inclusive eu me incluo nisso. Pai ausente, não se sentir muito encaixado em nenhum círculo e afins.
Como o próprio nome já diz, a banda foi do céu ao inferno algumas vezes, na sua primeira fase, eu lembro de músicas mais agitadas e com clipes também deverás engraçados. In Too Deep, Motivation, Rythms, The Hell Song e por aí vai.
Dessa primeira fase da banda, além de Fat Lip, Still Waiting e No Brains me chamavam bastante a atenção.
Still Waiting fazia uma alusão a uma banda no estilo The Beatles, mas que no final quebravam tudo e se mostravam o oposto daquilo. Mas no fundo a letra tinha uma critica foda, na qual o governo sempre diz que não irá te matar, mas aquela arma na mão deles… Diz totalmente o contrário.
E ao mesmo tempo, mostrava que para mudar esse ciclo vicioso só dependeria da gente mesmo.
“So am I still waiting
For this world to stop hating?
Can’t find a good reason
Can’t find hope to believe in”
Na segunda fase da banda, os caras literalmente chegaram lá no fundo… Já eram discos mais melódicos que seus antecessores, mas ainda sim despertavam algo “bom” ao ouvir. Nesse meio tempo teve a saída do Dave que era o guitarrista da banda, o problema de alcoolismo do Deryck que nessa “brincadeira” quase nos deixou. Mas voltando a discografia em si.
Em 2004 eles lançaram o disco Chuck, que já beirava uma sonoridade diferente do Pop Punk, muita gente considera que foi um dos primeiros flertes com o metal.
O disco tem esse nome, pois no período a banda estava na República Domocrática do Congo, quando um tiroteio começou e eles foram salvos por um cara da ONU chamado Chuck.
Esse disco no final das contas, foi muito foda. Some Say e Pieces foram as músicas que mais me marcaram. No final das contas, músicas mais melancólicas sempre me prenderam mais, talvez pela calmaria que elas tem e também por me fazerem refletir muito sobre as coisas, sejam elas relcionadas a mim ou ao mundo ao meu redor. Dá sempre a sensação que há um silêncio gigante ao meu redor.
Some Say em sua letra a ideia da vida misteriosa, que sempre há pessoas que vão procurar alguma resposta para ela e simplesmente que outros irão se manter na ignorância independente da circunstância… Seja dele ou do mundo ao redor.
Pieces foi uma obra prima e seu clipe é atemporal demais. O Deryck andando sem rumo com aqueles caminhões passando do lado dele, mostrando uma vida “perfeita”.

No fim é algo que todos sonhamos, a férias perfeita, a familia perfeita, a noite perfeita. Mas no fim é algo tão ilusório, já que lidamos diariamente com algum demônio em nossas cabeças, seja para nos auto sabotar ou até mesmo para nos mutilar de dentro para fora.
Ainda flertando com a melancolia em suas letras, em 2007 veio o Underclass Hero. Esse disco foi incrível de ouvir e ainda soa muito bem. Walking Disaster, Dear Father, Pull The Curtain, Speak of the Devil, Confusion and Frustrations in Modern Times, With Me e a faixa título do álbum Underclass Hero foram as minhas favoritas e com um carinho especial por With Me.
Nesse disco o Deryck trouxe muito da relação com os seus pais, que era basicamente inexistente e como isso desencadeou outros problemas na sua vida adulta.
Era um tanto quanto diferente ouvir esse álbum na minha adolescência, pois alguns eu tinha dentro da minha própria casa. E a música me despertava um sentimento de raiva, quando mais novo, meio que um sentimento de querer entender do porque eu me encaixava dentro daquilo?
Confusão é tudo que vejo, frustração me cerca, a despedida da solução, sedação? Que diabos?
With Me, na época que eu ouvia ela na escola, era muito legal e tals, porém não tinha um significado tão concreto. Até em 2020 quando reencontrei uma amiga de infância, foi muito massa tudo aquilo e ressignificar essa música foi muito mais legal para as circunstâncias.
Pull the Curtains, poderia muito bem ter encerrado esse disco, para fazer uma analogia com fechar as cortinas de um espetáculo.
“Vivendo morto e acordado, o show de terror começa
Então puxe as cortinas sobre mim…”
Entramos agora em uma fase muito mais sombria… Em 2011 a bandava voltava com Screaming Bloody Murder, que também seria o último do Stevo (baterista original da banda).
Esse eu lembro que demorei um pouco a gostar, pois era bem diferente de tudo que a banda tinha lançado até o momento, mas hoje também tenho um carinho enorme por ele.
“Sim, dê motivos para acreditar
Este mundo não é uma máquina doentes
Quando todos os lugares são um beco sem saída
Em todas as direções”
Hoje mais velho, eu ouço e penso que era o pedido de socorro do Deryck… E de como ele já estava exausto de tudo que ele estava passando e que não sabia mais para onde correr, era como se ele estivesse expondo todos os demônios existentes na sua cabeça e como era conviver com isso diariamente.
Em Screaming Bloody Murder, ele conta como os dias dele são estranhos e como ele luta contra ele mesmo em alguns trechos da música.
“Porque eu (Ei!) não estou desistindo (Ei!)
Sem autocontrole
Sufocado no arado
Eu sou meu (Ei!) pior inimigo (Ei!)”
Os “Hey” ou “Ei” como preferir é ele mesmo, tentando negar/barrar o que ele mesmo canta.
Em 2016 a banda retorna de forma triunfal, depois de anos de passagem no inferno pessoal. Foi uma sensação diferente ouvir o Sum 41 depois de tantos anos do hiato. Fake My Own Death, War e Breaking The Chain foram músicas essenciais para esse retorno da banda. Além do retorno do membro original Dave e a entrada do Frank Zummo que é um puta baterista.
War foi mais uma música com aquele selo de música foda e clipe foda, aquele avião caído dando a sensação que tudo havia acabado, as imagens do passado da sua quase morte pelo alcoolismo. É um tanto quanto tocante, de ver que o cara conseguiu sair do fundo do poço pessoal.
“So, what am I fighting for? Everything back and more
And I’m not gonna let this go, I’m ready to settle the score”
Breaking the Chain foi uma daquelas músicas que eu me emocionaria escrevendo se fosse eu no lugar dele… Principalmente olhando para trás.
“As cicatrizes não desaparecem, nunca desaparecem e ainda estou sangrando!
Cada passo que dou, todas as correntes que quebro
Isso me traz um passo mais perto
Estou quebrando a corrente…”
Order in Decline, é o penúltimo disco da banda foi um dos melhores trabalhos da banda, trazendo um ritmo mais intenso, que acabou casando com a bateria do Zummo.
Turning Away que é a faixa de abertura foi uma das que mais me pegou, junto com Catching Fire que é uma balada e também 45 (Matter of Time) que trouxe um tom mais politizado.
Catching Fire é uma música que toca todas as quintas no rádio do carro e também nos fones dentro do metrô. Ela acaba sendo uma daquelas músicas que me tira um pouco daquela loucura que é dentro do metrô.
Heaven and Hell é o último trabalho da banda, já que irá encerrar suas atividades e por isso lançou um disco que navega em todas as suas fases.
O lado Heaven, meio que revisita o passado da banda em músicas mais energicas e do Pop Punk. Landmines, traz consigo uma nostalgia gigantesca para quem ouve a banda desde as antigas. Não teria uma forma melhor de encerrar as atividades do que dessa forma.
A primeira música do lado Hell Preparasi a Salire, admito que foi uma das que eu mais gostei… Um estilo diferente com aquela voz eletrônica dando a introdução e logo em seguida sendo acompanhada pelo restante dos instrumentos.
“ Levante-se, mesmo quando estivermos quebrados”
O Sum 41, foi uma das bandas que eu mais ouvi durante esses meus 28 anos. Me acompanhou por períodos que eu ainda estava tentando entender muita coisa sobre mim e por que algumas coisas eram de tal forma. Eu torço muito para que a banda passe aqui pelo Brasil, para encerrar de maneira épica sua trajetória.
“Às vezes me pergunto se tenho o suficiente para dizer
Ou sou apenas um eco
Um reflexo de ontem
Ou preso entre uma memória
E visões do que poderia ser
Às vezes eu sinto que estou vazio e
Tudo que consigo encontrar é fé para encontrar o controle”