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CASTELOS DE GIZ.

Mundos distantes, pedaços do céu… Em preto e branco escrevo palavras no papel.

Igor Henrique Constant · · 5 min de leitura
CASTELOS DE GIZ.

CASTELOS DE GIZ.

Mundos distantes, pedaços do céu… Em preto e branco escrevo palavras no papel.

O ano era 2017 e eu estava revendo algumas bandas que não ouvia faz tempo e também retornando um pouco ao movimento RioCore, algo que eu tinha diminuído depois da pausa do Forfun.

Logo ali, eu encontro essa obra de arte, que me acompanhou anos afinco, depois que eu descobri o Fausto, era como se eu estivesse ouvindo a melhor das melodias californianas, mas diretamente do Rio de Janeiro.

Esse álbum, agitação e paz ao mesmo tempo, nas alternâncias entre suas músicas mais rápidas e também em suas baladas.

Bodas de Chantilly, foi a primeira música que acabei ouvindo. Cara essa música era algo que dava uma alegria/serenidade. Felizmente a voz do Thiago é de uma suavidade gigante, que agracia o ouvido de quem ouve.

“Do dia de amanhã
Desse não temos medo
Quando o agora é pleno o que virá
Quem arrisca dizer?”

Castelos de Giz, foi a segunda música que na época me chamou muita atenção… Aquela introdução, causa um sentimento diferente que não sei explicar, mas te leva numa reflexão interna. Talvez do que eu mesmo esteja fazendo aqui. Em preto e branco, escrevo palavras no papel.

“E se eu pudesse voltar atrás?
E seu eu pudesse tentar dizer?
E se eu tivesse um minuto pra voltar no tempo
Seria por você”

Essa música, toda vez que eu ouço… Parece que ela no mais profundo do meu peito. As vezes as folhas em branco, esperam um fim.

Mil Sóis, é uma música que entrega muito até os dias atuais… Se você ouviu essa música e em algum momento sua mentalidade não mudou. Sinto muito, você nunca entendeu nada.

“Os pobres e mendigos
eram os seus amigos
Reze pra ele não voltar

E você não queimar
No fogo de mil sóis”

Correndo feito animais, nos muros deixamos sinais de que a cidade é nossa e ninguém pode nos parar. Coney é uma música que me leva ao meu ensino médio pois ela retrata muito o sentimento dos 3 adolescentes do interior de SP. Matar aulas no ensino médio, foi um dos negócios mais úteis que eu fiz naquele período.

Eram regras feitas para quebrar e ter esse auto descobrimento da transição entre a adolescência para a vida adulta.

“Ossos quebrados pra relembrar
Que o mundo era nosso quintal”

Esse trecho em especifico é algum que me remete ao meu dedo mindinho que é fraturado até hoje. Por ter tentado fazer algo que nunca havia feito na vida, uma manobra de BMX.

Quando você é mais jovem, você é mais destemido… E não pensa tanto em consequências. O que era um dedo mindinho fraturado? Perto de ter uma memória para contar para seus filhos, netos e sobrinhos.

Muito do que fazer é sobre isso… Só há eu e você e muito o que fazer,
e dizer, e sentir, e o universo a colorir.

A introdução dessa música primeiro traz uma nostalgia do nosso querido Didico em seu celebre momento.

“Que Deus perdoe essas pessoas ruins”

Mas ao mesmo tempo me gerava um sentimento de vazio gigante. Lembro que várias vezes ia em um ponto turístico da minha cidade e ficava vendo a passagem do rio, ouvindo ela.

Era como estar em um mundo totalmente em preto e branco. Mas apenas esperando ele a colorir.

No fim a nossa vida, as vezes tem uma temática de teatro de rua né… Uma total tragicomédia. Tem horas que preciso me relembrar que minha vida é um sopro e nos momentos ruins tentar não ficar louco, o que anda bem dificil não é mesmo.

Somos o fim, me traz uma vaga de lembrança de SUM41, mais especificamente do Underclass Hero, que tem algumas músicas mais próximas.

Um dos trechos, mais lindos dessa música é sem dúvidas esse aqui:

“Do tempo que eu perdi, tentando desenhar
Modos de resistir no limiar do sonhar
E ver alguém partir em outra direção
Na estrada que não leva pra lugar nenhum
E o vento”

Seguida de um solo de guitarra, é um tanto quanto dolorido, pois pega lá no fundo do peito. Essa é uma música que te coloca pra refletir da forma mais pura possível.

Agora, vem ela… Contra a Maré. Uma música que eu tive que ressignificar no estado atual da minha vida. Depois de no último domingo ter tido uma crise de pânico, enquanto eu tava lá sentado em observação com uma máscara me ajudando a respirar, esse trecho tocou no meu fone de ouvido.

“Hoje dei por mim
E até me faltou ar”

Ali eu percebi que no ritmo que as coisas andam, meus nervos já não são mais de aço. Estão bem longe disso, mais próximos de estarem colapsando.

“E se eu só me encontrar
Quando o trator do tempo passar
Será tarde demais
A vida leva, a vida traz
Descanse em paz

Vou encerrar esse texto, com a música do álbum, FAUSTO. Que foi uma homenagem ao Fausto Fanti do saudoso Hermes e Renato.

Essa música, sempre ressalta o mais importante: Não importa a história, alguém precisa de você. É dizer isso sempre para mim, quando pensar em desistir.

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