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CHICO SCIENCE NAÇÃO ZUMBI

Em 1990, apareciam em Recife uma banda chamada Nação Zumbi… Mais especificamente como Chico Science e Nação Zumbi. Banda essa que foi a…

Igor Henrique Constant · · 5 min de leitura
CHICO SCIENCE NAÇÃO ZUMBI

CHICO SCIENCE E NAÇÃO ZUMBI

Em 1990, apareciam em Recife uma banda chamada Nação Zumbi… Mais especificamente como Chico Science e Nação Zumbi. Banda essa que foi a pioneira no movimento do Manguebeat.

Gravou apenas 2 discos com Chico Science (Ambos discos de ouro), que veio a falecer cedo. Muito cedo para o que realmente podíamos esperar do que ele poderia nos oferecer musicalmente e humanamente falando.

Mas para ser sincero, eu mesmo que vos fala só fui conhecer o Nação Zumbi em 2014, quando eles lançaram o disco autointitulado. Já com Jorge Du Peixe nos vocais.

Lembro que a minha primeira experiência foi ouvindo o single “Um Sonho”. Cara essa música pra época que eu ouvi, foi uma das coisas mais belas que você observa que o amor transcendia o tempo mesmo. Letra, clipe, tudo nela é tão gostoso e nostálgico ao mesmo tempo.

O clipe tinha foco justamente no filho de Chico Science e na filha de Jorge Du Peixe.

O trecho “hoje de manhã ainda acordei sem imagem e sem som” me pega muito em determinados momentos que estou pensando em algo ou alguém. Ou viver em um sonho dentro de um sonho… Parece até que estou divagando preso em algo. São essas as sensações que me geravam, era algo de ouvir em um estado quase que inerte.

Eu gosto muito de uma frase relacionada a música que eu vi uma vez sobre música: A arte mexendo as vísceras e cumprindo seu papel.

O disco ainda caminha por outras 10 faixas até mesmo com a participação da Marisa Monte, que baita música também.

Roda gigante eterna… Começo sem fim.

Só depois desse disco que revisitei muita coisa do passado do Nação e também percebi a influência deles no Brasil, para construção de muitos outros gêneros que conhecemos hoje.

Voltei para 1994, quando lançaram “Da Lama ao Caos” diferentemente do autointitulado, ele é diferente… Mas um diferente ótimo. As batidas se casam perfeitamente com a guitarra do Lúcio Maia.

Faz 1 ano que comecei a ir frequentemente para São Paulo e um dia ouvindo a faixa “A Cidade” me faz refletir enquanto fazia a baldeação entre as linhas do metrô.

“A cidade não para, a cidade só cresce o de cima sobe e o de baixo desce” — Esse trecho em especifico me paralisou por alguns instantes, quase que sendo levado pela multidão que estava por ali em plena 07h40min da manhã.

Samba Makossa, foi uma música que eu conheci por meio do acústico MTV do CBJR, no qual a banda fez uma releitura com o Marcelo D2 e com o Daniel Ganjaman. Admito que a versão do CBJR me agrada mais pelo estilo que ela foi construída, violão, gaita e afins.

A faixa título do disco em questão, talvez uma das mais populares… E se justifica, eu fico abismado como a quantidade de percussão conseguia andar tão bem com a guitarra. E nessa música é algo que fica nitido.

“Ô Josué, eu nunca vi tamanha desgraça
Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça”

Mais para frente em 96, eles lançam o Afrociberdelia, com uma mistura de rock psicodélico, um pouco de eletrônica e por ai eles caminhavam.

Mateus Enter é uma forma incrível de abrir e chamar o público para si…

“Eu vim com a Nação Zumbi
Ao seu ouvido falar
Quero ver a poeira subir
E muita fumaça no ar
Cheguei com meu universo
E aterrisso no seu pensamento
Trago as luzes dos postes nos olhos
Rios e pontes no coração
Pernambuco embaixo dos pés
E minha mente na imensidão”

Eu admito que esse disco eu ouvi muito pouco… Ouvi bastante criança de domingo e amor de muito.

Depois já sem Chico Science em 2007 também teve o Fome de Tudo, ouvia muito esse disco com meu amigo Felipe voltando do trabalho. A faixa final do disco “No Olimpo” é um negócio incrível de bom e falo que é uma música certa para fechar um disco, na minha humilde opinião. Mesmo que os minutos finais dela sejam de pura distorção.

“Esse é o alvorecer de tudo que se quer ver
Sem fazer sombra na melhor hora do sol
Eternidade duradoura com sossego então
Melhor que fique assim”

Tive a oportunidade de ver o Nação Zumbi ao vivo, em 2018 na virada cultural aqui do interior. E digo que foi uma experiência muito única… Até para entender presencialmente a dimensão daqueles caras, para muito do que eu ouvia.

Aqui vai um trecho do manifesto do Manguebeat —Caranguejos com cérebro , criado em 92 pelo jornalista e músico Fred Zero Quatro.

“Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.”

Obrigado por lá em 2014 ter aberto minha mente e ter me feito voltar ao passado para conhecer sobre o quão grande é a nossa história dentro da música.

SALVE CHICO SCIENCE, SALVE NAÇÃO ZUMBI.
OS GRANDES ARQUITETOS DA MÚSICA BRASILEIRA.

Na mesma linha, eu recomendo também o Mundo Livre S.A

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