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CLASSE DE 97.

E a inocência se perdeu, se foram nossas referências, hoje em dia suas costas doem e já não temos paciência.

Igor Henrique Constant · · 4 min de leitura
CLASSE DE 97.

CLASSE DE 97.

E a inocência se perdeu, se foram nossas referências, hoje em dia suas costas doem e já não temos paciência.

Conheci o Chuva Negra em meados de 2018, a partir do álbum “Meio Termo — 2014”. Lembro que naquele período estava passando por muitos questionamentos, tais como estou passando atualmente.

Era um tanto engraçado como as letras desse álbum iam totalmente contra o que vendiam pra gente quando mais novo. Soavam quase que como socos na cara.

“Supere seus limites, amplie seus horizontes
Voe mais alto, você pode ir mais longe

Vai me foder, ao menos pague um jantar
E me faz um carinho assim
Você me ensinou que eu deveria plantar
Mas que eu não colheria no fim”

É realmente, talvez a única coisa que você colha seja uma depressão ou uma crise de ansiedade, noites mal dormidas e afins.

E como essas coisas sugam sua vida e te tiram do eixo… E nisso você precisa procurar saídas.

No álbum “Terapia — 2010” mais especificamente na faixa Classe de 97, admito que quando eu ouvi ela, eu acabei remoendo um pouco do meu passado, principalmente quando encontrava os amigos da escola que já haviam conquistado coisas que eu nem imaginava. E realmente o quão chato era entrar nesses méritos.

Hoje tento me policiar um pouco mais para não cair nessa pilha, sendo bem sincero.

“Pra falar quanto é bom ser assim, eu nunca falo de mim, você adora falar de você
só queria ficar ouvindo meu som, que merda parece que minha estação nunca chega.”


“Contas a pagar”, “por que eu ainda não comprei um carro?”
típico assunto que eu não vou discutir porque eu detesto
“quando irei casar”, “por que ainda levo essa vida”

Mas seguindo na Olá Vanguarda dos shows, que dão um alívio nessa rotina merda que existe ao nosso redor, que muitas vezes acaba privando de ter um minimo de prazer.

Nunca foi nenhum problema pra mim, pra perder a classe eu sou o primeiro ou será que perdemos a arte de rir de nós mesmos?

Recentemente os caras lançaram um novo álbum chamado “SURF” e que trampo foda e para minha felicidade sábado pude ver o show da turnê no querido Asteroid (Valeu Mario por mais uma vez por proporcionar essas coisas para o interior).

Eu particularmente encaro esse show com uma carga emocional, tal qual foi o Blink-182 em março… Sendo bem sincero.

Podem se questionar. “Ah mas é o blink-182, pipipopo”

Cara o mais legal da música é como ela gera o impacto em você. E como você reage nisso, independente da banda, de onde ela, de onde ela toca.

Se uma música te impacta e te abre um pouco da mente para esse mundo quadrado que a gente vive, com tantos deserviços. Acredite, você ta no caminho certo.

E além disso é estar ali com gente que ta no mesmo sentimento que você, sejam amigos ou até mesmo estranhos que você nunca viu, mas que estão ali por um único motivo.

Mas a música nos salvou, como cê acha que eu cheguei aqui?

Esse certamente foi um dos momentos mais especiais do show, pois bem nesse trecho enquanto eu tava gritando e chorando, um cara dividiu o microfone bem no trecho que ele fala que a música me salvou. Ali você percebe o peso que a música tem na vida de alguém e o impacto positivo que ela causa. Muito maior que muito discurso vago que a gente ouve por ai durante nossa vida.

Fica os agradecimentos pela companhia/amizades do show Bianca, Renan, Kim e Mudinho.

E como forma de encerrar, fica aqui o último hino.

Mas quando a gente se encontrar
Nada vai ser pela metade

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