pop-punk

I WANT TO DISAPPEAR

Nada está no meu caminho e eu penso em você todos os dias.

Igor Henrique Constant · · 6 min de leitura
I WANT TO DISAPPEAR

I WANT TO DISAPPEAR

Nada está no meu caminho e eu penso em você todos os dias.

Depois de 6 anos o TSSF retorna com seu novo álbum. Quando eu comecei a escrever aqui sobre bandas, o PROPER DOSE, foi o primeiro que escrevi sobre como me sentia ouvindo aquele trampo dos caras.

É estranho como a raiva pode ser um sentimento catalisador gigante para nós seres humanos. Seja para algo ruim ou bom, como utilizar da raiva para cuspir todo tipo de sentimento que estejamos sentindo em um determinado momento das nossas vidas.

Meio que transcrever da raiva, os gritos em suas músicas é o que representou bastante o The Story So Far durante os anos. Mas ainda sim, eu jurava que a banda iria encarar seu término, principalmente após a saída do Kellen que era o baixista fundador da banda.

Quando Big Blind, foi lançada de surpresa… Foi um sopro de esperança em meio ao caos. Lembro que estava presencial no trabalho no dia que ela foi lançada e pegar para ir embora ouvindo ela foi um dos momentos que eu entrava nos vagões e simplesmente conseguia esquecer toda aquela multidão que tava no mesmo barco que eu.

Mas no meio de tudo isso, vem o processo do luto na criação… E muito do novo trampo dos caras trata disso. Curar as feridas e seguir em frente, mesmo que seja um caminho com uma bifurcação que não sabemos o que virá pela frente.

All This Time entrega uma abertura incrível que um álbum pode oferecer… Mas em sua maioria, toca diretamente no tema de sinto que você está em uma sensação de passagem do tempo e a antecipação do que vem a seguir.

A ponte para o final da música é o que mais emociona…

“Nothing standing in my way
I think of you every day
And if there is a better way
I trust that you’ll show it to me”


“Nada no meu caminho
Eu penso em você todos os dias
E se houver uma maneira melhor,
confio que você me mostrará”


Watch You Go , trata muito de você se apegar ao seu passado ou seguir em frente e como isso te gera diversos conflitos, muitas das vezes mesmo nos sentindo mal a gente acaba se prendendo nesse ciclo. E isso quando se trata de pessoas, talvez gere um paradoxo ainda maior na nossa cabeça.

É meio complicado ser humano as vezes… O quanto nossa cabeça nos sabota diariamente, não está escrito.

Letterman foi segundo single desse álbum e sinceramente rapidamente se tornou uma das minhas músicas favoritas. Cara o peso dessa música na relação com a perda, a questão da aceitação, as lembranças nas entrelinhas. Se você perdeu algum ente querido, talvez venha a se identificar.

“‘Cause even if I close my eyes and fantasize
It’s never gonna help me admit that you’re gone and to just accept it”


“Porque mesmo que eu fecho meus olhos e fantasio
Isso nunca vai me ajudar a admitir que você se foi e apenas aceitar isso”


Jump The Gun , entrega a mais breve e direta referência que eu poderia querer: Eu sei que estou distante, mas isso não significa que não estou por perto.

A questão emocional sempre foi algo muito escancarado nas músicas do TSSF e isso diz muito emBig Blind. Mencionar da solidão, abrangendo que anteriormente você tinha alguém para compartilhar algo. É um tanto quanto estranho nos primeiros momentos e até nosso mental se habituar com tais mudanças tentamos nos auto manipular.

Nothing To Say explora temas de turbulência emocional, perda e a luta por encerramento e conexão. Olhar para seus erros do passado, perdas significativas que deixam marcas e a incerteza do que vem no futuro.

Em certos momentos da nossa vida, parece que estamos apenas suportando tudo que está rolando ao nosso redor.

Keep You Around , foi uma música que eu acabei me identificando muito. Me trouxe um pouco das lembranças da partida do meu avô e como isso me aproximou mais ainda da minha avó, já que ia com uma frequência muito maior vê-la. Era uma forma de manter as lembranças do meu avô e ao mesmo tempo manter minha avó mais perto.

Seguir em frente nesse período, foi complexo para minha cabeça. Já que ali havia perdido minha figura paterna, tal qual o Parker menciona na música.

You’re Still In My Way , carrega consigo talvez o maior arrendimento que podemos ter. O silêncio nos momentos cruciais e como esse silêncio talvez nos cobre, aquele sentimento do “porque não fiz isso ou aquilo” vai ter momentos que vai ecoar, principalmente quando estamos nos nossos limites.

White Shores é a primeira “balada” e penúltima música do álbum. E ela traz muito do impacto que uma pessoa pode ter na sua vida, no seu molde como pessoa. As vezes a gente até se pergunta por onde essa pessoa deve estar e como deve estar e como será quando nos encontrarmos.

Depois de uma composição tão bonita, a guitarra e a bateria ao fundo dão um tom ainda maior ao fim e sua pacificidade.

“Take me with you now
Beyond the veil on white shores
Now it’s difficult to move
I can’t help but think of where you are”


“Leve-me com você agora
Além do véu nas margens brancas
Agora é difícil se mover
Não posso deixar de pensar onde você está”

Esse álbum, mesmo com todos os percalços conseguiu entregar um trampo de se orgulhar. Enfrentar nossos demônios e perdas, nunca é algo fácil… Até por não termos uma receita própria para tal. Certas músicas, vieram como lembranças que ao final, vão se esvaindo, mas que em outros momentos retornam com uma intensidade maior e reabrem algumas feridas que considerávamos estar fechadas.

E onde quer que você esteja, nunca é tão longe daqui
E todas as coisas que você é, você vou senti-los alto e claro.

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