hardcore

LABIRINTO DA MEMÓRIA.

Tentando retomar o hábito de escrever algumas coisas. E além do mais, sobre bandas nacionais. Talvez pelo simples fato de serem mais fáceis…

Igor Henrique Constant · · 3 min de leitura
LABIRINTO DA MEMÓRIA.

LABIRINTO DA MEMÓRIA.


Tentando retomar o hábito de escrever algumas coisas. E além do mais, sobre bandas nacionais. Talvez pelo simples fato de serem mais fáceis de ter um entendimento e também uma noção do que é cantado além dos riffs da guitarra.

Tem uma banda que eu ouço desde 2004, mais especificamente é o Dead Fish. Em 2004 eles lançaram o Zero e Um e foi a partir daí que a coisa começou. Claro, mesmo tendo começado no zero e um, eu voltei várias vezes para revisitar a discografia anterior.

É muito difícil no Brasil, uma banda seguir com 33 anos de estrada, transmitindo uma ideologia, mesmo que ainda tenham muitos fãs que são do selo “Gosto do Dead Fish pelo som da guitarra” e visivelmente esses nunca entenderam o que a banda sempre quis transmitir através das suas letras.

Recentemente a banda lançou seu mais novo disco chamado Labirinto da Memória. Um dos questionamentos que eu sempre me faço é em que momento que nos tornamos adultos, ficamos tão “medrosos” com o passar do tempo. Eu me olho e penso… Aos 14 anos quando descobri que podia morrer a qualquer momento, eu não tive medo. Ao contrário ainda sim me sentia invencível, mesmo que sabendo que poderia não estar escrevendo isso aqui agora.

Quando ouvi Dentes Amarelos pela primeira vez, esse questionamento voltou a minha cabeça. Principalmente pelo seu inicio em que ele canta:

“Nascemos invencíveis e insaciáveis
Querendo devorar o mundo
Os dentes de leite, não temem a dureza
Nem o Amargo da vida

Encaram a pancadas
Relevam os tombos
Temperam a vida com sabor e alegria
Crise é engolida sem mastigar
E logo abre um sorriso”


Eu nunca havia me identificado tanto com uma letra como foi essa… Pois foi esse sentimento que tive aos meus 14. Lembro que logo que esse single foi lançado e eu ouvi ele a primeira vez, eu me senti tocado no fundo no peito e quando me deparei estava chorando.

E a linha segue, pois eu ouvia a música e me via entrando na vida adulta, sentindo um certo amargor e com as pancadas que seguiam, a sensação já não era mais a mesma de quando mais novo. Mas no final das contas…

“Aprendendo a ter orgulho dos meus dentes amarelos
Que rangem quando falo, mas se calo, esfarelam
Ainda servindo pra devorar
O mundo em pedaços que uma hora eu engulo
E mesmo com sorrisos mais escassos
Vou digerindo vitórias e fracassos”

Ontem completei meus 28 anos… E poder ter visto mais um show de tantos que já pude presenciar. Foi um tamanho privilégio, ouvir algumas músicas novas, ressignificar as antigas.

Sei que o mundo atual, nos “guia” a consumir tudo de forma rápida, a produzir de forma rápida, mas eu te convido a ouvir e entrar nesse labirinto de memórias.

“Ninguém para lembrar
Ninguém para contar
Ou ensinar o que custamos a aprender
Nada pra guiar
Ao começar
Se perder
Tente acessar
Decodificar
E ensinar o que custamos a aprender
Pra facilitar
Continuar
_** _E vencer
**


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