hardcore

LUGAR ALGUM.

Se há uma escolha, existe história pra contar… Em cada memória, a chance de recomeçar.

Igor Henrique Constant · · 5 min de leitura
LUGAR ALGUM.

Semana passada voltando do show do Forfun, eu e Renan estavámos justamente de bandas que haviam “sumido” novamente do mapa e de certa forma entramos no tema do Colligere.

E ironicamente essa semana, ouvindo as minhas playlists… Uma música desse álbum acabou tocando, era exatamente a faixa título desse texto.

Para ter noção, esse single foi lançado em 2021… E o álbum ficou engavetado pela pandemia. Era um single que precisavamos ouvir naquele período obscuro, negativo e de incertezas que foi a pandemia.

Ele simplesmente trazia peso, velocidade, inteligência necessária para o momento que vivíamos. Era definitivamente o retorno da banda Curitibana no seu melhor estilo.

Deve haver uma palavra pra sensação de que o mundo vai desmoronar
Vagamos por uma terra desconhecida
Errando por caminhos traçados por outros pés

Era de um impacto tão grande nos ouvidos… Que chega ser dificil explicar a sensação exata. Mas ao ouvir, você sente o peso da música como se fosse um caminhão em alta velocidade vindo em sua direção, trazendo uma reflexão em cada verso.

O hábito é o que torna o mundo habitável
Você refaz o caminho e encontra tudo em seu lugar
O hábito nos transforma

Colligere

Avançando para 2022, vem o álbum cheio… E com muitas pedradas, mas todas necessárias e meio que 2 anos depois, ele se torna ainda mais atual. Em meio a tantas barbaries cotidianas, a música Bárbaro me traz uma reflexão bem grande, sobre quantas mais batalhas vamos ter que travar pelo mínimo?

Outro alguém
Dormindo na rua
Não é o seu problema
A dor não é sua
Me sinto o parente que Deus não quis

Talvez a criação individualista desde criança, nos colocou nesse ciclo vicioso que é muito mais fácil olhar para o próprio umbigo.

Já pensou olhar para algo e pensar no inimaginável? Como se fosse uma miragem. É exatamente essa percepção que a música te passa, a espera pela sua voz faz do silêncio canção. E muitas vezes tenho a sensação que o silêncio passa uma maior tranquilidade de que a voz.

Quase inalcançável, tão perto de mim
Espelho onde vejo meu melhor

Em muitos momentos mesmo que esse álbum aborde temas mais delicados, ele também aborda da questão do amor, todas bem cantadas na voz forte do Rodrigo.

Entre nós foi uma música para apresentar esse momento mais íntimo talvez. Mesmo que no encontro das mãos haja um vão.

O prazer toca o limite
Sinto meu corpo fora
Sinto meu corpo no seu

No single “Alma” me traz muitas referências dos meus momentos que minha cabeça entra em um turbilhão infernal de uma ânsia de encontrar motivos ou razões para certas coisas. Talvez, faça muita parte de mim esse aspecto.

Mas sempre tentar esquecer, buscar melhorar, recomeçar e vagar obstinadamente.

Sem apego, deixar-se viver
Enfrentar meus demônios
Saber seus nomes

Luz e Sombra traz consigo uma introdução pesada, seguida de versos coesos e tão pesados quanto sua introdução. O refrão inclusive é um ponto alto dessa música.

Eu lembro que quando ouvi ela pela primeira vez, me trouxe realmente aquele sentimento de náusea da vida. O sentimento do grito preso na garganta, da raiva, mas na mesma proporção tem o momento que os olhos encontram um motivo para descansar.

Devolver às imagens
Seu caráter revelador
Deixá-las no escuro
Até que uma memória perdida
Viva pela primeira vez

Ah se eu pudesse, só por um segundo, rever os portões do mundo… E um dia espero estar na lembrança de quem eu criei. A forma como a tenacidade e também a calmaria abordam essa música é muito foda.

Uma das coisas que mais me chamaram a atenção nessa música, foi justamente tocar na ferida de um tema que normalmente é enraizado e não tem muita discussão, pois realmente é fácil viver na bolha e criar “n” vertentes de crenças.

Esse álbum é justamente trazer temas de forma aberta. Para tocar nas feridas que normalmente não mexemos, feridas que vão além de nós mesmos. É um negócio totalmente coletivo.

Vocês vão ajudar a desenterrar a verdade?
Este é um dever dos vivos
Não é um trabalho perdido

O Colligere em 2022, entregou um disco abissal para todos os seus fãs… 14 anos após sua última apresentação. Era mais que necessário para o momento que estavámos e ainda soa muito atual, é sem dúvidas um disco que marcou os meus últimos anos e me sinto um pouco triste, por não ter visto uma apresentação da banda de forma ao vivo.

Principalmente por pensar o quão “pesado” deve ser um show deles, letras que não necessariamente precisam ter um inicio, meio e fim. Mas que precisam colocar algo na sua cabeça e te fazer refletir sobre o interno e externo.

Queria poder preencher o que falta entre nós
Mas o mundo é um tecido permeável e frágil
Queria poder escapar daqui
Como se pudesse me encontrar em outro lugar

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