Diria eu que, neste início (quase meio de 2026 já… Puta merda!), o Gorillaz tenha me surpreendido positivamente com o seu novo álbum, The Mountain.
O disco em questão é uma das melhores experiências sonoras e culturais que pude ter até o momento. Trazer de uma forma tão massiva a cultura indiana — seja em instrumentos, colaborações ou temas — é algo que me impressionou muito.
Luto é um tema onipresente em The Mountain, principalmente pela ótica que o Ocidente tem sobre a morte e como ela é encarada. Acho que só tive a oportunidade de ouvir este álbum sem sentir um receio após ter visto muitos vídeos da Índia no canal do Guelmi — recomendo muito, inclusive; são vídeos bem “nus e crus”.
A forma como Damon Albarn traz a temática da morte, ainda mais com o falecimento de seu pai, é algo que me tocou profundamente, por ser algo tão central na cultura indiana. Ele não tem medo de falar sobre a dor ou sobre a perda. Ele fala sobre isso de uma forma tão real que é impossível não se emocionar.
The Mountain
A faixa-título prepara você para a imersão, quase como se estivesse prestes a subir realmente uma montanha. É como olhar para o céu e pensar na imensidão que vem pela frente. São 04:51 minutos de puro instrumental, de pura inserção naquele mundo que há de vir a ser construído.
The mountain, all good souls come to rest…
Orange County
É certamente um dos pontos mais altos do álbum. É a música que conversa com seu eu interno sobre o quão dolorosa é a perda; afinal, você sabe: a parte mais difícil de dizer adeus é dizer adeus para alguém que você ama.
A música se mistura entre a suavidade dos assobios, a voz maravilhosa da cantora Kara Jackson e o sitar de Anoushka Shankar.
The Manifesto
Mesmo com uma raiz indiana, o Gorillaz ainda flerta muito com a América Latina através da participação do músico Trueno. Essas mudanças de ritmo e as melancolias “escondidas” em um balanço mais animado são pontos que sempre fico feliz em ouvir.
Oh, the mountain, it is high Yeah, the mountain’s sad so the mountain cry Tin god, the braided day But the mountain stays on still Don’t lose yourself
The Plastic Guru
The Plastic Guru já encaminha para o ritmo final do disco, trazendo Johnny Marr nas guitarras. Sinceramente, foi uma das minhas favoritas do álbum como um todo. O trecho:
Nós acreditamos no que escolhemos… isso não é a verdade?
Se tornou muito marcante, a ponto de eu passar dias ouvindo essa música em loop no trajeto de volta para casa.
No fim das contas, The Mountain não é apenas um álbum sobre a Índia ou sobre a morte; é um álbum sobre a persistência. Sobre como, mesmo diante da perda mais devastadora, o mundo continua girando, as montanhas continuam lá e a música continua sendo o melhor lugar para se depositar o que não conseguimos dizer em palavras.
Terminar esse disco deixa um silêncio reflexivo no quarto. Aquele tipo de silêncio que não é vazio, mas sim preenchido por tudo o que acabamos de processar. É o Gorillaz nos lembrando que, para chegar ao topo da nossa própria montanha pessoal, às vezes precisamos parar de lutar contra a dor e apenas aprender a caminhar com ela.