VALORES QUE SE BASEIAM EM ESCOLHER ESTAR OU NÃO PRESENTES, QUANDO TUDO PARECE DESMORONAR.
Meu corpo é uma máquina quebrada… E esse pedaço irregular não encontrará seu lugar, mas eu não consigo ficar quieto.
O Hot Water Music no último dia 10/05 lançou seu novo trabalho (VOWS), segundo com meu QUERIDASSO CHRIS CRESSWELL na banda. Coincidentemente é o disco que complementa os quase 30 anos da banda de muito Post-Hardcore.
Eu ouvi os singles e também o álbum no seu lançamento e disparado foi um dos melhores que ouvi da banda, posto que até então era do Light It Up , High Class Catastrophe é uma das minhas favoritas desse álbum. O trecho mais marcante justamente “casa” um pouco com o título.
“Show in your own way how you will unite
All of the young and tried, try.”
Mas voltando ao VOWS… Esse disco em alguns momentos ele me pega no sentimento de nostalgia, o que não é muito dificil pra ser sincero.
Em 01. Menace o que mais me chama atenção é justamente o refrão bem forte alternando muito entre a voz mais suave do Chris e uma voz mais rouca (não sei se esse seria o termo mais ideal) do Chuck Ragan, essa transição entre uma e outra é quase que um sopro nos ouvidos. O clipe também é algo muito interessante. Ele se mostra a banda de um lado de uma parede e do outro os membros meio que pensativos, para baixo… A música lida muito com a coisa de ficar na negatividade e como o mundo atual também potencializa isso em nós. Temos sempre a possibilidade de seguir nesse buraco ou procurar uma saída.
Falando isso pra mim, admito que ainda to procurando uma saída em certos momentos…
“Abalado, doendo profundamente
Quando rompido impotente
Veríamos o vermelho no horizonte
Se houvesse cuidado sobrando para dar
A sanidade está balançando com pouco dinheiro
Entorpecido pela epifania”
Já em 02. Searching for Light ela beira um pouco uma balada, muito agradavel de ouvir, sendo bem sincero. O trecho inicial dela já meio que te dá um soco na cara, passando uma reflexão que o tempo está passando e você ainda está procurando uma luz.
“O tempo está se esgotando
O relógio, nunca desacelera
Eu vejo claramente agora
Mas eu não tenho para onde ir”
03. Burn Forever foi de uma composição dupla do Chris e do Chuck e cara, saiu coisa boa ai… Pelo simples fato do disco ser tão linear, te passando sempre uma mensagem de forma clara. Tentar lidar com os processos do luto é um negócio que sempre me pega, pois tem momentos que ele é lento e doloroso, muito pelo sentimento da saudade. Mas o que aprendemos disso tudo? As vezes a gente só olha pro horizonte de algo tentando encontrar uma resposta para todos os processos que passamos na vida.
“Horizontes não foram feitos para serem tão difíceis de encontrar”
Chegou ela, a música que me transmitiu um sentimento tão bom, mas tão bom… E eu imagino que deve ter sido um dos paralelos criativos mais dificultosos do disco. Misturar Post-Hardcore com uma melancolia vinda do City And Colour (Dallas Green). Mas saiu uma coisa absurdamente linda. Essa 04. After the Impossible é uma das melhores e maiores músicas da banda.
Assistir o clipe nas vesperas do lançamento do disco, foi um negócio muito doido. Ele te gera um sentimento de saudade gigante, seja de um momento da vida, seja de alguém. Mas o que essa música mais transmite é saudade. Ver aquele momento que os membros da banda são representados como crianças, apenas brincando, desbravando todo canto da sua imaginação.
“Eu esperaria por você na chuva
Resistindo, me afogando… Estou pronto
Para encontrar meu caminho, para encontrar meu caminho até você”
04. Remnants conta com a participação do Brendan Yates e do Daniel Yang, ambos do Turnstile que é outra baita banda. Essa música trata muito da amizade e foi a partir dela que eu criei o título do texto. É sobre estar presente mesmo quando tudo está desmorando.
“Se você disser que está melhor sozinho
Se você disser que é mais forte do que nós sei que vou esperar até que você esteja pronto para voltar para casa”
Já sentiu como se em algum momento da sua vida, você estivesse mastigando cacos de vidro? Então… 05.Chewing On Broken Glass trata muito desse aspecto. Em tempos sombrios, as vezes sentimos que estamos perdendo o chão ou controle de tudo sobre nossas vidas. É meio estranho sentir isso, pois junto vem o sentimento da amargura e como lidamos com isso?
“Já era estranho o suficiente para nós, antes deste último… Mas é uma facada o intestino pensar no que poderia ter sido”
A faixa07.Fences conta com a participação da banda Thrice, mas essa infelizmente foi uma das poucas que não me agradou tanto. Ainda mais levando em consideração do Thrice ser uma puta de uma banda foda. Eu sinto que ela poderia remeter muito bem uma música do Exister (2012) ou do Caution (2002).
ENFIM CHEGOU O MOMENTO DA BESTA SAIR DA JAULA SOZINHO. APENAS ENTRE CHRIS CRESSWELL ! Em 08. Side of the Road , uma música cantada totalmente pela lenda. Pô eu sou muito grato por ter conhecido o The Flatliners e a carreira solo dele, pois ele tem uma voz marcante demais. Esse cara é muito bom, na moral. Ele transmite um sentimento de perda, uma procura de sentido de uma forma forte e suave. Foram apenas momentos desgastantes o suficiente num período brindando com o desconhecido.
“Agora que colidi com tudo o que está fora do meu controle, estou na beira da estrada refazendo meus passos”
Não há satisfação, por termos conduzido um período tão estranho. E 09. Wildfire relembra bem isso.
“Porque nós os temos conduzido errado
Chumbo em cada cáustico gole, câncer em suas linhas bronzeadas
Sufocando em um incêndio ao sol”
10. Bury us All vamos chegando nas últimas músicas dessa maravilha de álbum, na faixa em questão você já sente o final chegando. Talvez querendo enterrar os sentimentos passados durante todo o disco. Acho que no final das contas, todos nós procuramos uma terra sólida para poder ver as flores nascendo, poder acordar sem querer fugir do que nos aflinge. Somos apenas seres humanos com sentimentos, muitas vezes a flor da pele.
“Procurando por terra sólida, um lugar para chamar lar”
A penúltima música11. Touch the Sun , dá o devido último gás que o disco precisa antes de agradecer e fechar as cortinas.
“Eu sinto você desmoronando sozinho
Tão unificado em um impulso equivocado”
Fechamos o texto com 12. Much Love … Ainda mais depois de passarmos pelo luto, pela procura de um sentido e afins. Essa música conta com a participação da Aimee do The Interrupters. É um negócio muito massa pensar que eles conseguiram misturar uma vocalista de Ska Punk nessa última música. Essa música é muito agradecimento da banda aos fãs.
“Estou acordando com um refrão
Gritando cada palavra de esperança e desgosto
E lições que aprendemos
Nós crescemos e nos tornamos uma família
Com as canções de cura que compartilhamos, eu abro meus olhos
E vocês ainda estão aqui”
Esse disco foi um sopro de realidade meio absorta. Mas também o melhor trampo dos caras e vale lembrar que o HWM toca no Brasil, no segundo semestre no Oxigênio Festival em São Paulo.