indie

O NOVO ANORMAL.

Nós temos o direito de viver — ou pelo menos o de fingir bem. Lute por isso...

Igor Henrique Constant · · 4 min de leitura
O NOVO ANORMAL.
Captura de YouTube/Coachella

Quando o assunto é nostalgia, talvez nenhuma outra banda desperte em mim esse sentimento de forma tão agridoce, ampla e desajeitada quanto The Strokes.

Ouvir as primeiras notas de Is This It ou Room on Fire é um bilhete só de ida para a minha adolescência: as tardes pós-escola farmando no Ragnarok Online, encarando o brilho do monitor enquanto esperava meus amigos entrarem no falecido Skype.

A solidão de um quarto escuro naquela época era diferente — parecia vir acompanhada de uma trilha sonora própria.

E se você me perguntar como conheci o Strokes… bom, lá vem. Foi por causa de — pasmem — o Funk do Mortal Kombat. (Inclusive, já deixo registrado aqui: se você jogava bastante de Sub-Zero no Mortal Kombat 3, eu não gosto de você — brincadeira!).

Os criadores dessa pérola tinham um vídeo no YouTube mandando um cover de “12:51” só no violão e escaleta. Até uns dias atrás eu dei play naquilo e pensei a mesma coisa: “Caralho, isso ficou bom demais, vai se fuder kkkkk”.

Sim, essa é a minha sincera reação.

Com o tempo, no entanto, a própria “12:51” foi caindo no esquecimento enquanto eu ouvia o resto da discografia. E, eventualmente, o próprio Strokes acabou ficando num canto empoeirado da minha mente. Não que isso mude o rumo do mundo, mas há pouco tempo voltei a ouvir os caras — cortesia de um amigo (valeu, Lucas!).

O tempo passa, a gente muda, os canais do Skype fecham… mas a nostalgia arranja um jeito de bater na porta de novo.

The Strokes soa quase como uma ode aos meus amigos. Pois meio que se tornou impossível ouvir sem relembrar e querer mandar uma mensagem no WhatsApp para saber como eles estão.

“Hard to Explain” ainda me gera um sentimento de que posso conquistar o mundo, por mais difícil que seja explicar como (?).

Teve um período em que eu estava ouvindo tanto “Under Cover of Darkness”, que minha nossa… Sinceramente, para mim, ela é uma das melhores músicas do Strokes. É triste saber que esse álbum foi meio que gravado numa infelicidade criativa, mas, ainda assim… saiu um puta disco.

Eu não vou ser apenas um fantoche em uma corda…

Outro som também do Angles que gosto é “Two Kinds of Happiness”, lembrando muito dos primeiros álbuns, mas trazendo consigo um frescor de coisa nova.

Eu sei que eu tô colocando todos os álbuns fora de ordem, mas foda-se? A minha ideia aqui é sempre recolher os cacos de memórias e ir construindo as coisas. Partindo para o First Impressions of Earth, que talvez quem esteja lendo espere que eu fale que minha favorita é “You Only Live Once”…

Bem, você está errado. Pois é “Razorblade”.

E não que “You Only Live Once” seja ruim, muito pelo contrário: ela é muito boa, envelheceu muito bem com o tempo.

Mas sei lá, ela me soa repetitiva demais. “Razorblade” tem aquele tonzinho de melancolia que eu sempre gosto em uma música, tem aquele tom poético na composição.

O mundo está na sua mão ou está na sua garganta?

“Fear of Sleep” também é uma música que meio que sempre traz consigo o tema da ansiedade, fazendo uma analogia com a dificuldade de dormir em meio ao medo. É angustiante, de certa forma, deitar para dormir e ficar pensando no amanhã, quando era simplesmente para você desligar o cérebro.

Só preciso de 8 horinhas de sono mais pesado que 1 tonelada.

Acho que a semana de todos deve ter sido muito difícil… Porque todo mundo está bêbado, barulhento e chateado.

E até mesmo fazendo um paralelo a todo esse sentimentalismo que o The Strokes me gera, vale ressaltar o quão politizada é a banda, mesmo diante da preguiça infinita do Julian Casablancas. Recentemente o Coachella que o diga, com eles encerrando o show ao som de “Oblivius”, do EP Future Present Past.

Admito que foi um tanto quanto DIDÁTICO eles mostrarem para uma multidão todas as interferências dos Estados Unidos no decorrer dos anos.

Eu sei que não passei pelo trabalho mais recente da banda, talvez por ser um que ainda estou digerindo. Não é um álbum ruim… mas ainda não me pegou direito. Se tiver curiosidade, ouça Reality Awaits. Músicas como “Falling Out Love”, “Going to Babble On”, “Going Shopping” e “Lonely in the Future” merecem sua atenção.

Pensando em como finalizar, seria agradecendo. Pois dificilmente uma banda me remeteu a tantas pessoas, momentos e afins quando busco no meu HD. É muito bom construir memórias a partir de uma banda, música ou álbum.

Assim, mesmo com a distância existindo — e ela existe —, ouça e você lembrará.

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