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DANGER DAYS.

E você só vive para sempre nas luzes que você faz...

Igor Henrique Constant · · 5 min de leitura
DANGER DAYS.
Foto: Sarah Anderson

Escrever sobre esse álbum é como tentar escrever sobre um pós-melancólico e também como se estivesse me despedindo de algo, tal qual fez o My Chemical Romance com o Danger Days.

Um ponto que sempre me chamou a atenção no MCR, durante sua carreira, foi a forma de apresentar suas músicas e álbuns — a maneira como eles têm uma conexão e um contexto dentro de sua respectiva narrativa. O maior exemplo disso foi o The Black Parade. Um álbum conceitual e teatral que, na época em que foi lançado, conversava com toda a geração que o ouvia, trazendo temas mais intensos e menos banais.

Depois de um período de 4 anos sem lançamentos de estúdio, Danger Days nasce… Não de uma forma menos teatral que o seu antecessor, mas de uma forma mais colorida, o que também impactava no figurino da banda. O álbum é uma explosão de cores, sons e emoções, mas, ao mesmo tempo, traz uma sensação de despedida, como se fosse um adeus a uma era. A narrativa do disco gira em torno de um grupo de rebeldes que vive em um mundo distópico, lutando contra um regime opressor. As letras são carregadas de simbolismo e metáforas, explorando temas como liberdade, resistência e a busca por identidade.

O álbum é uma jornada emocional, com músicas que variam entre o energético e o melancólico. Faixas como “Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)” e “Sing” são explosivas e cheias de energia, enquanto “The Only Hope for Me Is You” e “Save Yourself, I’ll Hold Them Back” trazem uma sensação de vulnerabilidade e introspecção. A produção do álbum é impecável, com camadas de instrumentos e efeitos que criam uma atmosfera única.

Eu sempre pensei nesse como o trabalho definitivo da banda. Mesmo que ele carregue a sombra de The Black Parade por ter sido o álbum que mais atingiu o mainstream, o que mais me impressiona é como Danger Days consegue ser autêntico e original, mesmo sob a pressão de suceder um disco tão icônico.

Ele é a prova de que o My Chemical Romance não tinha medo de arriscar e explorar novos territórios musicais, mesmo que isso significasse se afastar do que os fãs mais afincos esperavam.

Lembro daquele período com um certo carinho, mesmo que em 2010 tanta coisa tenha acontecido comigo. Admito que estar em uma cama de hospital vendo a Copa do Mundo da África do Sul e, nos fones do meu poderoso MP4 Philips GoGear de SUPREMOS 2GB, estar tocando My Chemical Romance, eram coisas que talvez destoassem demais.

Músicas como “SING” traziam uma mensagem tão boa, forte e cheia de esperança que me pergunto como há pessoas que não conseguem gostar dela — muito por ela ter um tom que foge do convencional para os fãs mais “troozão”.

É, basicamente, cantar até que esse mundo se torne um lugar melhor. Para mim, para você que está lendo isso, para todos nós.


Sing it for the boys, sing it for the girls Every time that you lose it, sing it for the world Sing it from the heart, sing it ‘til you’re nuts Sing it out for the ones that’ll hate your guts Sing it for the deaf, sing it for the blind Sing about everyone that you left behind Sing it for the world, sing it for the world

Escrever nem sempre acaba sendo um processo contínuo. Tem momentos em que eu começo, escrevo uma base… Aí pego para ouvir o álbum novamente, ver se encontro mais alguma nuance, algum detalhe que não tinha percebido anteriormente. Vou sempre seguindo no meu ritmo, até para não tornar isso algo “obrigatório”. E é engraçado como, a cada nova audição, eu acabo encontrando algo novo, seja uma letra, um arranjo, um detalhe na produção… Isso me faz perceber o quão rico e complexo é esse trabalho dos caras.

Dentre todas as músicas, sem dúvidas a mais dolorida é “The Kids From Yesterday”. Creio que por ela conversar com seu eu de um tempo atrás, soando hoje como a despedida perfeita, já que o álbum viria a ser o último de estúdio antes do término da banda em 2013. A mistura da lentidão com, ao mesmo tempo, a rapidez, traz consigo essa sensação. Do tempo em que tínhamos tempo, e do tempo em que já não temos tanto tempo.

Tempos que colidem. Que transformam. Mas talvez não seja necessário abandonar quem éramos. E o que nos nutria. E o que nos fazia sentir vivos.


And you only live forever in the lights you make When we were young, we used to say That you only hear the music when your heart begins to break Now we are the kids from yesterday

Por mais que Danger Days seja baseado em uma HQ chamada The True Lives of the Fabulous Killjoys, criada por Gerard Way e Shaun Simon, o álbum tem uma mensagem tão universal e atemporal que transcende a narrativa específica da história em quadrinhos.

Vale destacar que a genialidade visual que envolve esse universo também tem um toque brasileiro: o quadrinista Gabriel Bá não apenas ilustrou a aclamada série The Umbrella Academy (também escrita por Way), como foi o responsável por dar vida a capas variantes das primeiras edições da HQ dos Killjoys, além de criar artes promocionais para a franquia.

Para encerrar esse texto, tem uma frase que abre o álbum e ela soa um pouco marcante.

Look alive, Sunshine. The Future is bulletproof, the aftermath is secondary.


Acorda, meu bem. O futuro é à prova de balas, as consequências são secundárias.

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